
Esses dados fazem parte de um levantamento do MP, que revela que Cabral fez mais de dois mil voos particulares com helicópteros que deveriam estar a serviço do estado, causando um prejuízo de aproximadamente R$ 20 milhões aos cofres públicos. Esse valor, segundo o promotor de justiça Cláudio Calo, ainda não corrigido.
Ações de improbidade, abertas pelo ex-procurador regional da república Cosmo Ferreira, que denunciou o abuso em 2013, pedem o ressarcimento dos prejuízos. Até 2013, segundo Calo, não existia protocolo para o uso dos helicópteros. Depois de criada as regras, o número de voos diminuiu sensivelmente.
“O registro dos voos passou a ser rígido e as informações foram colocadas no Portal da Transparência”, disse o promotor, que denuncia Cabral por peculato, quando um servidor desvia bem ou valor público. As investigações cobrem os dois mandatos do ex-governador, de 2007 a 2014.
De acordo com a reportagem exibida no Fantástico, Cabral efetuou 2.281 voos para fins particulares e privados. Muitas vezes com três helicópteros simultaneamente em viagens para Mangaratiba, transportando parentes, empregados domésticos e convidados. Inclusive durante um carnaval, levando convidados após os desfiles na Sapucaí para a casa de praia.
“Apenas 396 desses voos foram feitos para fins oficiais”, destacou Calo.
Nas investigações, o promotor levantou que na ocasião o estado dispunha de sete aeronaves, sendo que três eram usadas pelo ex-governador. Pelo menos, 1.003 voos foram feitos nos deslocamentos da Zona Sul – do Heliponto da Lagoa – para o Palácio Guanabara, sede do governo, sob a justificativa de que seguia orientações de segurança após sofrer ameaças.
Calo diz ainda que no início do segundo mandato Cabral mandou comprar dois helicópteros ao custo de R$ 32,6 milhões. Um deles do modelo Augusta, é uma aeronave de luxo, com capacidade para dois pilotos e cinco passageiros. A aeronave é considerada a “Ferrari” dos helicópteros.
A ex-primeira dama Adriana Ancelmo também usou aeronaves do governo para fins particulares. Foram 220 voos. O mesmo fez o ex-presidente da Assembleia Legislativa, deputado Paulo Melo (PMDB). Ele usou a aeronave do estado para ir a um sítio e a cidade natal, no litoral norte do estado, pousando em Rio Bonito ou num campo de futebol em Saquarema.
A defesa de Sérgio Cabral disse que havia uma norma interna orientando o então governador a não se deslocar por terra por questão de segurança, em razão do intenso combate à milícia e ao tráfico de drogas. O advogado de Adriana Ancelmo disse que ela não vai se manifestar. E o Bom Dia Rio não teve contato com a defesa de Paulo Melo, que por ser deputado, só pode ser investigado pela Procuradoria Geral de Justiça do Estado do Rio de Janeiro.
Íntegra da nota da defesa de Sérgio Cabral
"A pretensão do Ministério Publico é infundada e foi formulada fora do contexto da época. Havia uma norma de segurança do Gabinete Militar da Casa Civil do Governo do Estado, que orientava ao então Governador que não se deslocasse por terra, em razão do risco à sua integridade física (e de seus familiares), pelo intenso combate à milícia e ao tráfico de entorpecentes durante a gestão de SÉRGIO CABRAL".
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