domingo, 6 de maio de 2018

Pais da Ana Paula afirmam: ''Nossa filha era um máximo''



Prestes a se formar em tecnóloga em Marketing e tudo pronto para o casamento. Sonhos que chegaram ao fim no dia 19 de agosto de 2017 quando a universitária Ana Paula Ramos, de 25 anos, foi assassinada após cair em uma emboscada. Desta data até hoje, a alegria da jovem, que até então contagiava familiares e amigos, tomou lugar de sentimentos de dor e muitas saudades. Os pais, mesmo tentando esconder os sorrisos com as melhores lembranças de uma filha carinhosa, não conseguem conter as lágrimas ao lembrar-se de uma tragédia marcada por uma única pergunta: Por que ela fez isso?
Ela, a quem o motorista Paulo Roberto Ramos, de 58 anos, e a dona de casa Ana Márcia da Silva Ramos, de 48 anos, se referem é a nora e bancária Luana Sales, convidada pela cunhada para ser madrinha do próprio casamento. Luana é apontada pela polícia como a mandante do crime, e Igor Magalhães de Souza e Wermison Siguimaringa Ribeiro, os executores. Os três estarão presentes na primeira audiência de instrução e julgamento a ser realizada na próxima terça-feira (08/05), na sala de audiência da 1ª Vara Criminal do Fórum Maria Tereza Gusmão, no Centro de Campos.
O desejo de Paulo e Ana é que seja feita a justiça. “Nada aliviará as nossas dores, angústias. Nada vai trazer a nossa filha de volta. Mas vamos ficar mais aliviados se os culpados paguem pela barbaridade que cometeram contra Ana Paula”, disse Paulo. “Eu presto muito atenção na passagem bíblica do momento em que Judas traiu Jesus. E eu comparo essa histórica com a da minha filha. Ela saiu de casa como um cordeiro para o abate sem saber que o Judas estava ao lado dela”, disse a mãe.
Paulo e Ana afirmam que a vida dos dois virou de cabeça pra baixo. “Nem na formatura da faculdade da minha filha não tivemos condições de ir. Ana Paula foi homenageada e não estávamos com estrutura psicológica de participar daquele momento. O meu filho, que era casado com Luana, adoeceu, precisou passar por um tratamento psicológico”, pontuou o motorista.
Luana era tratada como filha, segundo informou Paulo Roberto. “A gente não conseguiu ver tanta maldade nela e esse ódio que ela alimentava contra a minha filha nesses anos todos”, disse Paulo, lembrando que  Ana Paula e Luana eram amigas de adolescência
Paulo recorda do momento em que a universitária estava internada no Hospital Ferreira Machado (HFM) quando algumas amigas da igreja oravam do lado de fora pela vida da filha. Ele chegou perto de Luana e perguntou se ela estava bem. “Eu abracei, beijei e perguntei se ela estava mais calma. Afinal ela era companhia da minha filha no momento do crime, que até então era tratado como um assalto. Depois eu recebi uma ligação informando que Luana tinha sido presa e que foi ela quem mandou matar minha filha. Naquele momento eu fiquei em choque. Eu não acreditei. Elas eram amigas da igreja, estudaram juntas quando pequenas, esposa do meu filho. Apesar de Luana ser bastante complicada, jamais imaginaríamos que ela seria capaz disso”, comentou.
Depois de tudo o que aconteceu, os pais afirmam que não voltaram mais para a mesma igreja aonde Ana Paula chegou a ensaiar uma coreografia para o casamento. “Não consigo mais ir ao supermercado fazer compras, pois sei dos biscoitos que ela mais gostava, da carne que ela mais gostava. Eu era apaixonado pela minha filha. Espero que Luana explique nessa audiência o porquê ela fez isso, pois até hoje não sabemos, não temos explicações do real motivo para tamanha crueldade”, falou Paulo.
“Minha filha me chamou para tomar sorvete com ela e Luana”
Ana Márcia relata que no dia do crime Ana Paula tinha ido almoçar na casa de uma amiga no Km 8 e a jovem revelou que na semana anterior Luana estava ligando insistentemente para que as duas fossem ver o vestido de madrinha da cunhada.
“Combinamos de que quando ela voltasse, eu e Ana Paula iríamos preencher os convites de casamento para que pudéssemos distribuir para os convidados. Minha filha achou estranho das ligações de Luana, já que ela não era disso, e eu também estranhei de que a loja onde elas viriam o vestido já poderia estar fechada em função do horário. Nesse dia, Luana apareceu na minha casa toda bem vestida e levou Ana Paula dizendo que as duas iriam ver o vestido de madrinha e que depois iriam tomar um sorvete. Ana Paula, quando estava saindo de casa, me chamou para ir tomar um sorvete com elas, mas eu disse que não iria porque eu tinha que fazer dieta para ficar esbelta no casamento dela”, lamentou a mãe, afirmando que se ela estivesse por perto, ela entraria na frente da filha no momento em que foi baleada, mas não tinha certeza que salvaria a universitária, já que os dois suspeitos de executar o crime estavam armados.
A frieza de Luana chamou a atenção da dona de casa. “Na segunda-feira eu fui até a casa dela para saber o que realmente tinha acontecido. Cheguei, sentei ao sofá e fiquei esperando por ela na sala. Em um determinado momento, desesperada, eu fui até o quarto dela e a vi toda vestida, se arrumando. Nesse instante Luana me disse que estava indo trabalhar e não falou nada sobre o suposto assalto. Em momento algum ela chorou comigo”. Nesse dia, a mãe disse que Luana foi dormir na casa de uma amiga, onde ela tentou criar um álibi, conforme informações da polícia.
Hobby de Ana Paula era patinar e brincar com os cachorros”
De acordo com Paulo Roberto, Ana Paula tinha o prazer de passear com os pais e o hobby dela era patinar na Praça São Salvador. “Nossa filha adorava os quatro cachorros dela, tanto que um deles faleceu logo após a morte de Ana Paula. Ela dizia que o sonho dela era comprar um terreno para abrigar os cachorros de rua”.
Ana Márcia ressaltou que todos da família foram aconselhados a não fazer tatuagem por questão religiosa. “Mas eu resolvi me marcar pra sempre com o apelido da minha filha de ‘Lilinha’ no meu braço esquerdo. No momento em que eu estava sendo tatuada, o tatuador me perguntou se estava doendo, foi quando eu respondi que a minha maior dor está no coração”, lamentou.
O crime
Ana Paula foi atingida por três tiros - dois no tórax e um na cabeça - na tarde do dia 19 de agosto de 2017. A vítima foi socorrida por populares para o HFM, onde esteve internada em estado gravíssimo até o dia 23 de agosto, quando a unidade hospitalar confirmou a morte da vítima. O caso, até então, vinha sendo tratado pela Polícia Civil como latrocínio (roubo seguido de morte). Mas, durante as investigações, o delegado Luis Maurício Armond começou a trabalhar com a hipótese de crime encomendado pela cunhada da vítima, Luana, que permanece presa, bem como os outros dois envolvidos.
Álibi
Armond informou que em menos de duas horas após mandar matar a tiros a cunhada Ana Paula, Luana buscou um álibi. Ainda segundo Armond, uma amiga da suspeita teria entregado um áudio à polícia que confirma que Luana a pediu para ser álibi. A gravação foi apresentada pelo delegado durante a coletiva à imprensa em setembro do ano passado.
Reconstituição
A reconstituição do crime ocorreu em outubro do ano passado, com a presença dos três acusados, do delegado Armond, de representantes do Ministério Público do Rio de Janeiro e de perito criminal. A reconstituição passou por vários pontos por onde os suspeitos e a vítima passaram no dia crime, entre eles, uma sorveteria no Parque Alvorada, Lagoa do Vigário e na Praça do Parque Rio Branco, onde ocorreu a execução do crime.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Postagem em destaque

Porto do Açu em São João da Barra exporta US$320,7 milhões no semestre

A exportação em São João da Barra no mês de junho retraiu 1,55% em relação a maio, atingindo US$74.900 milhões. O valor acumulado no sem...