quinta-feira, 10 de maio de 2018

Polícia investiga agência de turismo após denúncias de estelionato


Membros da comunidade judaica do Rio denunciam a agência de viagens Sky Turismo, na Barra, que pertence ao casal de empresários Carlos Eduardo e Tânia Kligerman. Pelo menos 40 pessoas, afirma que pagou por pacotes turísticos e não teve passagens aéreas emitidas, nem reservas de hotel confirmadas. Por enquanto, três inquéritos policiais, com relatos de dez vítimas, foram abertos na 16ª DP (Barra). A acusação é de estelionato.
Uma das vítimas, um engenheiro morador de Ipanema que preferiu não se identificar, conta que pagou à Sky Turismo R$ 27 mil à vista em julho do ano passado para viajar com a mulher para Israel, cuja criação completa 70 anos no próximo dia 14. No último sábado (5/05), data programada para a viagem, no entanto, ele não conseguiu embarcar, porque o bilhete eletrônico das passagens aéreas, assim como os vouchers dos hotéis, dos passeios e dos transfers, eram falsos.
engenheiro, que havia reservado as férias para conhecer Israel.
A arquiteta Claudia Edelman, que mora em Niterói, também escolheu Israel como destino, para comemorar a conclusão do mestrado da filha — e se sente igualmente lesada pela SKY Turismo. Em janeiro, ela pagou R$ 17.500 por duas passagens, hospedagem e aluguel de carro e não tinha nenhuma confirmação a dez dias da viagem (marcada para 16 de maio).
A Sky chegou a me pedir para pagar novamente, alegando que não tinha dinheiro em caixa para emitir nossos bilhetes. Garantiu que me reembolsaria em 30 dias, mas que credibilidade essa empresa tem? Tive que gastar mais R$ 16 mil, emprestados pela minha irmã, para comprar, pela internet, novas passagens e quartos de hotel. Meu dinheiro é muito suado, estou arrasada, chorando à toa — desabafa Claudia.
O mesmo fez o casal de empresários Ana e Ilan Levy: eles compraram novas passagens para não correr o risco de perder a formatura e o aniversário do filho, Gabriel, em Boston, nos Estados Unidos. No fim de março, ligaram para a companhia aérea para confirmar os bilhetes agendados para TDo próximo dia 15, que tinham comprado com a Sky Turismo em outubro, descobriram que eles estavam pendentes de pagamento, e assim permaneceram.
‘A Sky chegou a me pedir para pagar novamente, alegando que não tinha dinheiro em caixa para emitir nossos bilhetes’
- Claudia EdelmanUma das vítimas da agência
— Em 12 abril, meu marido foi à sede da agência, e não deixaram ele entrar. Por telefone, Carlos Eduardo disse que estava passando por dificuldades financeiras, fez promessas que não foram cumpridas. Diante de nossa frustração e sensação de impotência, fiz um alerta no Facebook e, para minha surpresa, descobri um grupo de quase 50 pessoas lesadas por essa agência — afirma Ana.
Deste grupo, 30 pessoas contrataram o mesmo advogado, Daniel Klein, para processar a Sky Turismo. Ele afirma que entrará na Justiça cível ainda esta semana, “pedindo indenização por dano material e moral, ressarcimento e até devolução em dobro, diante do flagrante de má fé da empresa”.
— A dívida total da empresa com os clientes lesados está entre R$ 750 mil e R$ 800 mil. Com o dano moral, a causa pode chegar a R$ 1,2 milhões — estima Daniel.
Em nota, o escritório do Rio da Associação Brasileira de Agências de Viagem afirmou que “assim que teve conhecimento das acusações contra a SKY Turismo, enviou um ofício para a mesma solicitando um posicionamento oficial da agência e está aguardando a resposta”. Diz ainda que “o diretor da empresa entrou em contato com a ABAV-RJ, informando que a sua agência permanece funcionando normalmente”.
Também em nota, a Sky Turismo alegou que “uma nota caluniosa publicada em um grupo do WhatsApp deflagrou uma campanha difamatória”. A agência afirmou ter como padrão a entrega de documentos de viagem perto das datas de embarque, e garantiu que todas as reservas estão ativas. No entanto, a empresa informou que, “como consequência de todo esse movimento”, e “considerando que o país vem passando por uma grave crise financeira que abala todos os setores”, sofreu uma queda de receita e recebeu muitos pedidos de cancelamento, o que consumiu seu capital de giro e a obrigou a buscar aporte financeiro.
A Sky informou ainda que seus advogados acompanham cada caso e prometeu buscar a melhor solução para cada um.

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