sexta-feira, 13 de julho de 2018

Homem-bomba mata 128 e fere 200 em comício no Paquistão


QUETTA, Paquistão — Um homem-bomba matou 128 pessoas e feriu mais de 200 ao cometer um atentado suicida durante um comício no sudoeste do Paquistão. Foi o segundo atentado ligado à disputa eleitoral no país, disse o ministro regional da Saúde, Faiz Kakar. Há uma tensão crescente no ar após o retorno do primeiro-ministro deposto Nawaz Sharif ao território paquistanês, a dias da eleição marcada para 25 de julho. O Estado Islânico (EI) reivindicou a autoria do ataque, informou a agência de notícias do grupo, a Amaq.
O atentado suicida foi o mais letal ocorrido no país em pouco mais de um ano, e é o terceiro incidente violento relacionado ao pleito numa semana. A tragédia ocorre no momento em que o governo provisório paquistanês procura reprimir reuniões políticas com Sharif, que foi deposto pela Suprema Corte no ano passado e condenado à revelia por corrupção na última semana.
O premier deposto e sua filha Maryam retornaram ao país nesta sexta-feira, mesmo enfrentando a perspectiva de longas sentenças a cumprir na prisão após a condenação, e Sharif tenta reagrupar seu partido antes do dia 25.
Segundo o veterano oficial da polícia Qaim Lashari, havia mais de mil pessoas no comício, na cidade de Mastung, que fica na violenta província do Baluchistão, a maior do país.

Militantes muçulmanos ligados ao Talibã, à al-Qaeda e ao EI vêm atuando na província, que faz fronteira com o Irã e o Afeganistão. A província também tem insurgentes nativos que se rebelaram contra o governo central do Paquistão.
Entre os mortos, estava o candidato à Assembleia Legislativa da província Siraj Raisani, cujo irmão Nawab Aslam foi o principal ministro do Baluchistão entre 2008 e 2013.
— Siraj se tornou um mártir — afirmou outro irmão do político, Haji Lashkari Raisani.
OUTROS ATENTADOS PELO PAÍS
Horas antes, outro atentado a bomba matou quatro pessoas na cidade de Bannu, no norte. O alvo era o comboio de Akram Khan Durrani, aliado de Sharif pertencente ao partido religioso Muttahida Majlis-e-Amal (MMA). E, na terça-feira, um homem-bomba matou 20 pessoas num comício anti-Talibã em Peshawar, inclusive o candidato à assembleia legislativa Haroon Bilour. O Talibã do Paquistão reivindicou a autoria.
  • Bilour pertencia ao Partido Nacional Awami, de cunho nacionalista, que se opõe aos partidos islâmicos locais. O pai de Bilour, Bashi, também morreu num atentado suicida em 2012, durante outro período eleitoral.

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